Sinais de Cena 9
Já está disponível o número 9 da revista Sinais de Cena, editada pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro. Alguns dos artigos podem ser lidos online, como um curto perfil em tom pessoal de Emília Silvestre.
Companhia Pé de Vento faz 30 anos, no JN

Companhia Pé de Vento faz 30 anos
Pé de Vento é das companhias mais antigas da cidade do Porto, mas aniversário é modesto
ISABEL PEIXOTO
Foi há 30 anos que o Pé de Vento se mostrou pela primeira vez ao público do Porto. Apesar da respeitável idade, a companhia assinala o aniversário de forma modesta. Não há dinheiro para uma celebração à altura.
Passa-se a primeira porta e eis que surge à mão esquerda, tão fresco como em Julho de 1978, o grande boneco que abre a boca e revira os olhos. Quando era mais novo, também soltava ideias pela cabeça, ou não fosse ele Ventolão, o centro das atenções da peça com que o Pé de Vento se lançou nesta coisa do teatro, faz hoje 30 anos: “O maior intelectual do mundo”. Abria-se caminho a uma história que não se escreve se não com sonhos. (mais…)
Dramaturgo vs Dramaturgo
Uma interessante distinção entre o dramaturgo que escreve teatro e o dramaturgo que trabalha em teatro, juntamente com o relato na primeira pessoa do segundo, cortesia da revista brasileira Questão de Crítica:
“Historicamente, Lessing é apontado como o primeiro dramaturg. Contratado pelo Teatro Nacional de Hamburgo, que congregava atores e empresários numa iniciativa que pretendia renovar a forma de se fazer teatro na Alemanha, Lessing deveria participar da elaboração das diretrizes de trabalho da companhia, da escolha do repertório e estava encarregado de produzir uma espécie de diário de bordo dos espetáculos apresentados, comentando aspectos relativos ao texto, à atuação e a tudo o que julgasse relevante. Parece que, de início, a direção do Teatro Nacional pretendia que Lessing – já naquele momento um crítico conhecido por suas idéias no campo da estética teatral e por sua concepção do papel social do teatro – funcionasse como “poeta da casa”, fornecendo à companhia textos para montagem. Lessing colocou suas peças à disposição, mas não aceitou a tarefa de escrever sob pressão e correndo contra o tempo. Para enfatizar o pertencimento de sua atividade ao âmbito do espetáculo, foi-lhe atribuída a designação de dramaturg, que se demarcava tanto da função do conselheiro literário quanto da do dramatiker, aquele que se dedica ao exercício da escrita dramatúrgica.“
“A Dramaturgia de Hamburgo é a crônica de um sonho maior que o do Teatro Nacional de Hamburgo, ela é a marca do desejo de instaurar um domínio no qual pensamento e prática da cena estabeleçam entre si relações produtivas sem que seja necessário determinar precedência ou hierarquia.”
Falha, por Marta Freitas
Num dia especial comemora-se. Brinda-se às coisas realmente importantes, resolve-se uma falha… e, acima de tudo, sofre-se. Pelo que existiu, pelo que nunca há-de existir, ou pela angústia de não sabermos se existe. Sobrevive-se.
Texto: Marta Freitas
Encenação: João Cardoso
Desenho de Luz: Nuno Meira
Cenografia e Figurinos: Catarina Barros; Cátia Barros; Joana Caetano
Música: Sérgio Martins; Rui Lima
Interpretação: Hugo Moreira; Hugo Sousa; Mário Rui Filipe; Marta Freitas
(mais…)
Vagas nos Ateliês de Verão da Dois Pontos
A Dois Pontos Associação Cultural informa que ainda há vagas os seus ateliês de 18 a 22 de Agosto e de 25 a 29 de Agosto.
Estreia: Hypomnemata, de Pedro Eiras

HYPOMNEMATA é um texto inédito do jovem dramaturgo Pedro Eiras.
A peça, cujo tema central é a linguagem, foi pensada como um dueto perpétuo entre o som e a cena (sob a forma de ecos distantes, de intrusões, discordâncias).
Um homem deixa cair em catadupa frases soltas, e face a uma impossível geografia humana dá -se a cartografia da linguagem.
Da vontade de desenvolver um percurso sobre a relação entre linguagem e a construção do drama, relembrando Novarina encontramos aqui “sinais de homens, antropóglifos”.
Texto: Pedro Eiras
Encenação: Renata Portas
Interpretação; João Henriques
Música: Joaquim Pavão
Cenografia: Laurent Scanga
18 a 27 de Julho
Segunda a Sábado às 21h30
Domingo às 18H30
Rivoli Teatro Municipal, Porto
(mais…)
“Platónov” no JN
Teatro Nacional de São João, no Porto, apresenta, a partir de hoje, a longa peça, escrita por Anton Tchékhov
Prepare-se o público, pois esperam-no quatro horas de espectáculo. “Platónov”, de Anton Tchékhov, é a proposta arrojada do Teatro Nacional de São João, no Porto, para o fecho da temporada. Estreia hoje, à noite.
Foi só a partir da segunda metade do século XX que “Platónov” mereceu acolhimento crescente nos teatros mundiais. Ou por ser demasiado extensa - sem quaisquer cortes, daria um espectáculo de seis horas -, ou por nascer da imaturidade de Tchékhov, a peça foi desprezada durante décadas, pelos profissionais e pelo público. Inclusivamente, alguns encenadores optaram por apresentar apenas um dos actos do texto, escrito em 1878 ou 1880. (mais…)
Platonóv, de Anton Tchékhov

Demasiado longa, demasiado violenta, demasiado imperfeita. Platónov conviveu sempre de perto com o excesso e o falhanço. Peça inaugural de Anton Tchékhov, escrita com a urgência de tudo dizer e tudo questionar, sucessivamente trabalhada e sucessivamente rejeitada, acabaria por ser resgatada da sombra ao longo do séc. XX. Isto porque talvez se possa dizer de Platónov, a obra, aquilo que alguém diz nela de Platónov, a personagem: “É o exemplo acabado da moderna indefinição”. Retrato em fuga de um grupo de trintões e quarentões desiludidos com uma sociedade que frustrou os sonhos da sua juventude? Celebração vital dos prazeres da culpa e da contradição? Ouçamos o nosso herói, num acesso de ironia e lucidez: “Ser jovem e ao mesmo tempo não ser idealista. Que depravação!”. Nuno Cardoso propõe-nos uma leitura possível de um conflito irresolúvel (foi também esse um dos propósitos que o conduziram a Woyzeck, outro clássico mutilado), acrescentando à sua já extensa galeria de beautiful losers o corpo vacilante de um professor de província, um Hamlet com testosterona a mais, que assiste embriagado ao desconcerto do mundo…
17 de Julho a 3 de Agosto - 21h (domingo: 16h) (mais…)
O teatro fora do teatro
Uma chamada de atenção para um artigo no Guardian sobre o teatro fora dos espaços teatrais:
“While every effort needs to be made to encourage new audiences into theatres to prevent their decline, the more compelling theatre that happens outside theatres the better. It breathes new life into that old adage, all the world’s a stage.”
Quem viu “Na Solidão dos Campos de Algodão“, pelo Teatro Plástico, ou o “Vale o que Vale“, pelas Produções Suplementares, sabe bem quanta verdade há nesta passagem.
