Quarta Parede

Blog de reflexão sobre teatro e dramaturgia.

Nova Geração de Teatro do Porto

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30 por Noite’ reúne nova geração do teatro do Porto
DAVID MANDIM

Cinco jovens companhias apresentam peças no Teatro Carlos Alberto
A nova geração do teatro do Porto tem, entre a próxima terça-feira e sábado, um palco – o Teatro Carlos Alberto – para apresentar os seus trabalhos. A mostra 30 por Noite reúne cinco projectos teatrais de jovens criadores, na sua maioria com menos de 30 anos, sem subsídios estatais.

O nome 30 por Noite “é uma provocação”, assumiu Ricardo Pais, director do Teatro Nacional de São João (TNSJ), entidade que produz a mostra comissariada por Hélder Sousa. A provocação refere-se ao período de “agitação” no Rivoli, quando a Câmara do Porto decidiu conceder a gestão do teatro a privados. “Rui Rio disse que havia ali teatro para 3o pessoas por noite. É uma provocação para lembrar que toda a gente tem o direito de trabalhar para uma imensa minoria”, justificou Ricardo Pais.

O encenador lembrou que o TNSJ “não é uma casa de produção”, mas está sempre aberto às coisas que se passam no Porto. Até porque, segundo Ricardo Pais, “cada vez mais escasseiam os lugares no Porto para o teatro” e também são reduzidos “os parceiros com que os operadores de teatro podem contar”.

Com este cenário, e como a ideia de dar espaço aos jovens fazedores de teatro já era antiga, nasce o 30 por Noite. As companhias Estufa, Primeiro Andar, Teatro do Frio, Meia Volta e Depois à Esquerda Quando Eu Disser e Mau Artista vão apresentar espectáculos. Sicrano, pela Estufa, é o primeiro a subirà cena, terça às 22.00 e quarta às 19.00. Esta é a única companhia que não utiliza o espaço da Fábrica, um armazém da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE) onde oito novas companhias de teatro e uma produtora de cinema podem desenvolver a sua actividade profissional.

“Além de geracional, esta mostra tem a particularidade de reunir pessoas que criam um percurso alternativo de profissionalização. Sabem investir e procuram métodos de produção novos. Sabem, à partida, que não têm financiamento assegurado”, disse Hélder Sousa.

A Fábrica existe desde Dezembro de 2005. Cada companhia chega e instala-se num espaço delimitado. De início nem foi difícil, mas com a ocupação da área disponível a atingir o limite já se pensa em nova forma de organização. “Há a ideia de criar uma estrutura, talvez uma associação, para que se possa avançar noutras direcções. Este festival veio mesmo a calhar. Percebemos que há uma unidade nos projectos que coexistem na Fábrica”, explicou José Nunes, da companhia Primeiro Andar, cujo espectáculo Vertigem é apresentado quarta (23.00) e quinta-feira (22.0).

Diz que Diz do Teatro do Frio vai à cena quarta, (15.00), quinta (11.00) e sábado (19.00). Confissões de um Carrasco na Hora de Ir para a Cama, da Mau Artista, é quinta (19.00) e sexta (22.00), enquanto O Nome das Ruas, da Meia Volta, apresenta-se sexta (19.00) e sábado (22.00).


Ciclo “30 Por Noite”  mostra o teatro das minorias do Porto

Isabel Peixoto

OPorto assiste por estes dias a um ciclo de teatro dedicado a criadores jovens e arredados dos circuitos oficiais. A iniciativa é do Teatro Nacional de São João (TNSJ), que numa atitude de solidariedade abre as portas do Carlos Alberto a cinco estruturas, para outras tantas peças. “30 por Noite” arrancou ontem com a inauguração de uma instalação, mas as sessões propriamente ditas começam só na terça-feira.

Segundo Ricardo Pais, director do TNSJ, o título deste ciclo de teatro é assumidamente “uma provocação” ainda no rescaldo da “agitação rivoliana”, em que o presidente da Câmara, Rui Rio, referiu que no Rivoli “se fazia teatro para 30 (espectadores) por noite”. Só que, além do jocoso da questão, Ricardo Pais refere mesmo que “30 por Noite” é muito bom para muita gente”, pelo que a iniciativa serve para “lembrar que toda a gente tem direito a trabalhar para uma minoria”. “Não é por haver quatro alunos que se fecha uma escola”, acrescentou.

Dos grupos que participam no ciclo, só a Estufa não está na “Fábrica”, um projecto que há dois anos surgiu agregado à Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo, instituição que viu formar-se a grande maioria dos artistas que fazem parte destas estruturas. Ali residem (leia-se ensaiam) as companhias Mau Artista, Teatro do Frio, Primeiro Andar, Radar 360, Tenda de Saias, Erva Daninha, Teatro Meia Volta e Depois à Esquerda Quando Eu Disser e, ainda, um grupo multidisciplinar (para já sem nome) e a produtora de cinema Olho de Vidro.

Apesar do seu carácter oficioso, a “Fábrica” foi a solução encontrada para estes grupos terem onde trabalhar. Ali há também “um encontro regular entre todos a nível de gestão do espaço e das infra-estruturas”, explicou a actriz Catarina Lacerda. Adiantou, contudo, que as companhias terão de abandonar a “Fábrica” quando a entidade proprietária avançar com obras no espaço (ver caixa).

O que não deve acontecer a breve prazo. De qualquer das formas, as pessoas envolvidas tencionam criar uma associação, através da qual poderiam procurar apoios financeiros e criar condições para o espaço albergar espectáculos. É que, apesar das relações de proximidade, os residentes da “Fábrica” não beneficiam de condições especiais se usarem a sala Helena Sá e Costa.

Além do espaço, estas companhias partilham a realidade de não terem financiamento assegurado e de quase todas terem sido criadas em 2005. O que mais as diferencia é o facto de trabalharem em áreas e para públicos distintos.

Por fim, uma referência ao grupo Estufa, que estreia na terça-feira a peça “Sicrano”. Além de teatro, o ciclo inclui a instalação “Está cá alguém?”, que espelha as vivências da “Fábrica” , terminando no dia 12 com um concerto pelos Mimical Kix, autores das bandas-sonoras de três dos espectáculos incluídos no “30 por Noite”.

Mais informação:
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Written by Jorge

Julho 17, 2008 às 5:12 pm

4 Respostas

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  1. Ola, Gostaria de estudar teatro em Portugal, pode me dar algumas dicas : Nem sei por onde começar a procurar.
    Sou ator formado no Brasil, e procuro expandir meus conhecimentos.

    Grato

    RICARDO

    Novembro 22, 2008 at 3:46 pm

  2. As escolas que conheço são a Escola Superior de Teatro e Cinema e a ACT, em Lisboa.

    No Porto há a Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo e a Escola Superior Artística do Porto.

    Há ainda a Escola de Artes e Design das Caldas da Rainha e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

    Deverá haver mais algumas escolas.

    Jorge

    Dezembro 10, 2008 at 4:09 pm

  3. Boa tarde , estou a fazer a minha tese de final de curso sobre o teatro de rua no porto havera alguma referencia a como começou ….

    rute

    Janeiro 2, 2010 at 4:28 pm

  4. olá sou professor de L.P. na EB23 Augusto Gil (na baixa do Porto) e gostaria no próximo mês de levar os meus alunos (e os de outras turmas) ao teatro. Como o dinheiro não abunda por aqui decidi estabelecer um «patamar» de 2,50 por aluno… para um público estimado de 120 alunos…por isso, procuro companhias disponíveis que se desloquem à nossa escola ou que «abram» as suas portas a esta gentinha tão ávida de experiências teatrais 🙂

    agradeço ideias ou conselhos úteis…

    obrigado

    fernando santos

    Janeiro 21, 2010 at 10:12 am


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