Quarta Parede

Blog de reflexão sobre teatro e dramaturgia.

Archive for Julho 2008

Reflexão da Pedro Eiras sobre Hypomnemata

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Pedimos ao dramaturgo Pedro Eiras uma pequena reflexão sobre a sua peça Hypomnemata, que esteve em cena no Pequeno Auditório do Rivoli até ao dia 27 de Julho. Infelizmente, por culpa nossa, só depois de terminar a temporada do espectáculo foi possível divulgar o texto. Aqui fica o mesmo, como testemunho e complemento do espectáculo apresentado.

Hypomnemata in fieri
Pedro Eiras

Pede-me a Quarta Parede um texto sobre Hypomnemata, em cena.
Após diálogos, ensaios de mesa, desenho de luz, a relojoaria das técnicas: o actor, o corpo, a música, o espaço. A estreia, e a experiência.
Que dizer,
senão que o texto já não é meu, mas de todos os que assim foram deitando a sua moeda no cubo de um homem que pensa?
Porque, e isso é o que peço ao teatro,
eu já não sei (terei sabido alguma vez?) o que é Hypomnemata, antigo texto que agora responde às muitas mãos que o escrevem, reescrevem, hypoescrevem.
Por exemplo:
o que é aquele cubo onde um homem fechado fala, fala, articula?
Eu pensava: a montanha de Prometeu, a coluna de Simão o Estilita, o banco do homem-estátua. Agora, porém, pelo menos:
um esgoto, um quarto, um bastidor, uma prisão, um cérebro, tudo o que imaginarem.
Donde: um profeta, um deus, um semi-deus, um pedinte, mas também, pelo menos:
um presidiário, um actor, uma ideia, um louco.
O teatro torna a palavra irreconhecível, por isso é necessário o teatro, lugar onde o outro – a Renata, o João, o Joaquim – mostra o reverso da palavra.
E na frontalidade de aceitar a dificuldade do texto: aí, na sua zona obscura.
Inventar e propor e reivindicar o teatro como coisa obscura, reivindicar um espaço como seu.

Que dizer? Repetir, assim: Eu só tenho a saliva para te atravessar.

Written by Jorge

Julho 28, 2008 at 11:00 am

Publicado em Reflexão

Sinais de Cena 9

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Já está disponível o número 9 da revista Sinais de Cena, editada pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro. Alguns dos artigos podem ser lidos online, como um curto perfil em tom pessoal de Emília Silvestre.

Written by Jorge

Julho 23, 2008 at 3:48 pm

Publicado em Instituição

Companhia Pé de Vento faz 30 anos, no JN

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Companhia Pé de Vento faz 30 anos
Pé de Vento é das companhias mais antigas da cidade do Porto, mas aniversário é modesto
ISABEL PEIXOTO

Foi há 30 anos que o Pé de Vento se mostrou pela primeira vez ao público do Porto. Apesar da respeitável idade, a companhia assinala o aniversário de forma modesta. Não há dinheiro para uma celebração à altura.

Passa-se a primeira porta e eis que surge à mão esquerda, tão fresco como em Julho de 1978, o grande boneco que abre a boca e revira os olhos. Quando era mais novo, também soltava ideias pela cabeça, ou não fosse ele Ventolão, o centro das atenções da peça com que o Pé de Vento se lançou nesta coisa do teatro, faz hoje 30 anos: “O maior intelectual do mundo”. Abria-se caminho a uma história que não se escreve se não com sonhos. Leia o resto deste artigo »

Written by Jorge

Julho 22, 2008 at 5:15 pm

Publicado em Companhia, Recortes

Dramaturgo vs Dramaturgo

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Uma interessante distinção entre o dramaturgo que escreve teatro e o dramaturgo que trabalha em teatro, juntamente com o relato na primeira pessoa do segundo, cortesia da revista brasileira Questão de Crítica:

“Historicamente, Lessing é apontado como o primeiro dramaturg. Contratado pelo Teatro Nacional de Hamburgo, que congregava atores e empresários numa iniciativa que pretendia renovar a forma de se fazer teatro na Alemanha, Lessing deveria participar da elaboração das diretrizes de trabalho da companhia, da escolha do repertório e estava encarregado de produzir uma espécie de diário de bordo dos espetáculos apresentados, comentando aspectos relativos ao texto, à atuação e a tudo o que julgasse relevante. Parece que, de início, a direção do Teatro Nacional pretendia que Lessing – já naquele momento um crítico conhecido por suas idéias no campo da estética teatral e por sua concepção do papel social do teatro – funcionasse como “poeta da casa”, fornecendo à companhia textos para montagem. Lessing colocou suas peças à disposição, mas não aceitou a tarefa de escrever sob pressão e correndo contra o tempo. Para enfatizar o pertencimento de sua atividade ao âmbito do espetáculo, foi-lhe atribuída a designação de dramaturg, que se demarcava tanto da função do conselheiro literário quanto da do dramatiker, aquele que se dedica ao exercício da escrita dramatúrgica.
“A Dramaturgia de Hamburgo é a crônica de um sonho maior que o do Teatro Nacional de Hamburgo, ela é a marca do desejo de instaurar um domínio no qual pensamento e prática da cena estabeleçam entre si relações produtivas sem que seja necessário determinar precedência ou hierarquia.”

Written by Jorge

Julho 22, 2008 at 2:58 pm

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30 anos do Pé de Vento

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Written by Jorge

Julho 20, 2008 at 10:00 am

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Falha, por Marta Freitas

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Num dia especial comemora-se. Brinda-se às coisas realmente importantes, resolve-se uma falha… e, acima de tudo, sofre-se. Pelo que existiu, pelo que nunca há-de existir, ou pela angústia de não sabermos se existe. Sobrevive-se.

Texto: Marta Freitas
Encenação: João Cardoso
Desenho de Luz: Nuno Meira
Cenografia e Figurinos: Catarina Barros; Cátia Barros; Joana Caetano
Música: Sérgio Martins; Rui Lima
Interpretação: Hugo Moreira; Hugo Sousa; Mário Rui Filipe; Marta Freitas
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Written by Jorge

Julho 19, 2008 at 10:00 am

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Vagas nos Ateliês de Verão da Dois Pontos

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A Dois Pontos Associação Cultural informa que ainda há vagas os seus ateliês de 18 a 22 de Agosto e de 25 a 29 de Agosto.

Written by Jorge

Julho 18, 2008 at 2:39 pm

Publicado em Anúncio, Companhia