Quarta Parede

Blog de reflexão sobre teatro e dramaturgia.

Archive for Março 2007

A Frente do Progresso, por Visões Úteis

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Foi em 1868, tinha eu mais ou menos nove anos, quando, ao olhar para um mapa de África da altura e pondo o meu dedo no espaço em branco que representava então o mistério irresolvido desse continente, disse a mim mesmo, com uma absoluta segurança e uma audácia espantosa que agora o meu carácter não conhece mais: “Quando crescer eu tenho de lá ir.” É claro que não voltei a pensar no assunto até me ser oferecida uma oportunidade para lá ir de facto, aproximadamente um quarto de século depois – como se o pecado da audácia da infância tivesse que ser expiado na minha cabeça adulta. Sim, eu fui lá: “lá” era a região de Stanley Falls, que em 68 era o mais vazio dos espaços vazios na superfície desenhada da Terra.
Joseph Conrad

 “Um Posto Avançado do Progresso” é a parte mais leve, menor, do ganho que trouxe da África Central, a parte principal sendo, evidentemente, O Coração das Trevas. Outros homens encontraram nessas paragens uma quantidade de coisas bem diferentes e a mim conforta-me saber que o que trouxe pouca serventia teria para mais quem quer que fosse. E deve dizer-se que o saque era pouco volumoso. Dobrado convenientemente, cabia no bolso de dentro. Quanto à história, ela é suficientemente verídica na sua essência. A invenção artificiosa duma mentira convincente exige um talento que não possuo.
Joseph Conrad

A Frente do Progresso
a partir de “An Outpost of Progress” (1897), de Joseph Conrad

dramaturgia e direcção Ana Vitorino, Carlos Costa, Catarina Martins
cenografia João Calvário
e figurinos Ana Luena
a partir de ilustrações originais de José Carlos Fernandes
banda sonora e desenho de som João Martins
desenho de luz José Carlos Coelho
interpretação Ana Vitorino, Carlos Costa, Miguel Rosas, Pedro Carreira, Rui Queirós de Matos
co-produção Visões Úteis, TNSJ

Teatro Carlos Alberto
29 Março a 8 Abril 2007
terça-feira a sábado 21:30 domingo 16:00

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Written by Jorge

Março 29, 2007 at 4:25 pm

Teatro do Montemuro procura actrizes

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O Teatro Regional da Serra do Montemuro, com sedena aldeia de Campo Benfeito (Castro Daire), procura actrizes, de preferência que saibam tocar instrumentos ou cantar. Exige-se ainda disponibilidade imediata e total.

Para mais informações contactar 254689352 e/ou 919518393

           

Written by Jorge

Março 29, 2007 at 4:19 pm

Publicado em Anúncio

Ministra “disponível para estudar apoio” a teatro do Bolhão

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Depois de concluído o projecto de reabilitação, o antigo palácio do Conde do Bolhão, na Baixa do Porto, vai acolher uma escola e uma companhia de teatro. Nas traseiras do palácio, numa área ocupada por uma litografia desactivada, surgirá um auditório. Ontem, para esse espaço abandonado, um grupo alunos do 1º ano da Academia Contemporânea do Espectáculo trouxe o sofrimento solitário de Madalena, personagem de Bichos, livro de contos de Miguel Torga.

A ministra da Cultura gostou do que viu no antigo palácio, e mostrou-se disponível para estudar um apoio do seu ministério à iniciativa. Isabel Pires Lima lembrou, no entanto, que o Ministério da Educação, pelo facto do projecto integrar uma escola artística, e a Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte terão também de se associar. “Só através de um conjunto de esforços o projecto, enquadrado no próximo Quadro Comunitário de Apoio, pode ser concretizado”, refere.

De boas intenções estão os ministros cheios, mas note-se que, além da qualidade reconhecida do ensino da Academia Contemporânea do Espectáculo, a sua companhia residente tem apostado em encenações clássicas de grandes textos dramáticos de excelente qualidade (de que é caso recente e paradigmático o recente D. João, de Moliére).

Numa cidade que parece cada vez mais polarizada entre pequenas companhias alternativas que lutam para sobreviver e gordas versões tele-teatrais de sucessos anglo-saxónicos ou brasileiros, o Teatro do Bolhão acaba por ocupar um nicho incontornável numa cidade que se diz ter sido “capital da cultura” europeia.

Ver artigo abaixo. Leia o resto deste artigo »

Written by Jorge

Março 28, 2007 at 2:05 pm

Publicado em Companhia, Recortes

O estado da arte no Porto: leituras, reposições e lares

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 Da profusão de iniciativas dos anos recentes não houve grandes vestígios, mas nem por isso várias centenas de portuenses quiseram deixar de assinalar o Dia Mundial do Teatro. Sem programação alusiva na maioria dos palcos habituais (do Campo Alegre ao Bolhão, passando pelo Art’Imagem, Carlos Alberto ou Sá da Bandeira), a solução limitou-se a dois locais Teatro S. João e Teatro Rivoli.

Infelizmente, com as companhias sem dinheiro, os teatros sem direcção, a autarquia sem interesse, não se esperava outra coisa. (Ler artigo abaixo) Leia o resto deste artigo »

Written by Jorge

Março 28, 2007 at 1:56 pm

Publicado em Comentário, Rivoli

Coéforas, de Ésquilo, encenado por Rogério de Carvalho

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O 2.º ano do curso de Teatro da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo estreia hoje Coéforas, uma das três peças que compõem a Oresteia, de Ésquilo, com encenação de Rogério de Carvalho.
A apresentação decorre dias 27, 28 e 29 de Março, pelas 21h30, e 30 de Março, pelas 15h30, na Sala Preta da ESMAE.

Written by Jorge

Março 27, 2007 at 5:02 pm

Publicado em Evento

“Celebrações para quê?”

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Deprimente”, “caótico”, “caricato”… Os adjectivos atropelam-se na boca dos responsáveis das companhias teatrais portuenses quando o assunto é o estado actual do sector na cidade.
(…)
A indisfarçável crise encontra expressão máxima na ausência de celebrações do Dia Mundial do Teatro na cidade do Porto. Exceptuando o programa desenvolvido pelo S. João, a oferta é diminuta. Um boicote deliberado à data? José Leitão, director do Art’Imagem, prefere ver a falta de eventos como “uma resposta”. “Só festejamos com as pessoas que gostam de nós. As gentes do Porto acarinham o nosso trabalho, mas não podemos dizer o mesmo de quem está na Câmara”, sintetiza o responsável da companhia que optou por celebrar a data na Maia e em Santo Tirso, autarquias com as quais foram estabelecidos protocolos de cooperação.

O fenómeno não é virgem. O corte nos subsídios concedidos pela Câmara Municipal do Porto fez com que várias estruturas teatrais da cidade procurassem alternativas nas autarquias da região. Gaia (cujo município acolhe há vários anos o Teatro Experimental do Porto) é a localidade que mais tem beneficiado da ‘deserção’ de companhias portuenses, mas também Matosinhos, Maia ou Santo Tirso alicerçam parte da sua programação cultural em espectáculos produzidos por grupos do Porto.
(…)
Menos de seis meses volvidos sobre o protesto que levou à ocupação do Rivoli, o processo ainda mexe. Francisco Alves assegura que, devido à sua participação activa no movimento, a companhia que dirige “tem sofrido várias represálias da Câmara do Porto”. E exemplifica com um episódio inédito no historial do Teatro Plástico “A pouco mais de 15 dias da estreia do nosso próximo espectáculo, que prossegue o ciclo dedicado a Samuel Beckett, continuamos sem saber o local, pois, como pretendemos um espaço não convencional, estamos dependentes da aprovação camarária”.

Ler o artigo completo… Leia o resto deste artigo »

Written by Jorge

Março 27, 2007 at 2:32 pm

Publicado em Recortes

Certificação profissional e contrato de trabalho intermitente para os artistas

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De forma muito oportuna, o Governo “pensa levar” a Conselho o novo Estatuto do Artista, com novas regras de trabalho para os profissionais do espectáculo, nomeadamente criando a possibilidade de “contratos de trabalho intermitentes” e “trabalhos de grupo”, além de um sistema de certificação profissional e facilitar a reconversão para outras profissões.

A acontecer, é um passo no sentido de ter em conta as especificidades da profissão artística. Mas sou um desconfiado inveterado de iniciativas “pensadas” em dias de efeméride.

Ver notícia abaixo.

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Written by Jorge

Março 27, 2007 at 11:46 am

Publicado em Comentário, Recortes