Quarta Parede

Blog de reflexão sobre teatro e dramaturgia.

Archive for the ‘Dramaturgia’ Category

«Estamos a ouvir, mas não estamos a escutar»

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(Texto do programa da peça “Ficheiros Secretos”, da companhia Visões Úteis.)

Jorge Palinhos

Bem-vindo ao Teatro Carlos Alberto. Para aqui chegar talvez tenha vindo de automóvel, passando por portagens que identificaram o seu veículo, as horas a que passou, a velocidade a que passou e a frequência com que faz este percurso. Talvez tenha vindo de transportes públicos, usando um passe que tem um microchip que regista o número de viagens, a regularidade das viagens e o itinerário das viagens que faz todos os meses. Se teve a sorte de vir a pé, é possível que tenha sido apanhado por câmaras de vigilância equipadas com sistemas de reconhcimento facial, que conseguem dizer quem é e, em algumas situações, qual o seu estado emocional enquanto caminhava.

Ao chegar, talvez tenha comprado o seu bilhete com cartão multibanco ou cartão de crédito, e assim informou o seu banco do local onde se encontra, da hora da transação e do tipo de compra. Ou então levantou o dinheiro necessário numa caixa multibanco, que registou a sua transação e a sua imagem, apenas por uma questão de segurança, claro. E provavelmente guardou o cartão multibanco na carteira, junto do cartão do cidadão, onde se encontram todas as suas informações fiscais, a identificação policial que o Estado fez de si e as suas informações médicas, e talvez entre alguns cartões de clientes, que lhe dão descontos por ceder os seus dados pessoais às lojas que visita e a informar sobre que tipo de artigos gosta de comprar.

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Written by Jorge

Janeiro 27, 2014 at 10:01 pm

… a ação dramática não é mais de nossa época …

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«(…)Além das condições materiais degradadas, vivemos uma crise estética, assim como uma crise dos conteúdos. Nos últimos anos, a criação teatral aderiu naturalmente às teorias nem sempre luminosas sobre a pós-dramaturgia e a “performance”. Curiosamente, as formas inovadoras que surgiram nos anos 1970 e 1980 continuam a orientar o credo estético de um grande número de teatros públicos e festivais, ainda que nesse assunto os imitadores estejam longe de se igualar a seus modelos. Os ingredientes dessa vanguarda insossa compõem uma papa cênica que passa por modelo do teatro moderno.

A poetologia desse teatro baseia-se na ideia de que a ação dramática não é mais de nossa época; que o homem não poderia se compreender como mestre de suas ações; que existem tantas verdades subjetivas quanto o número de espectadores presentes; que os acontecimentos representados no palco não exprimem nenhuma verdade válida para todos; que nossa experiência fragmentada do mundo somente encontra sua tradução num teatro fracionado, em que os gêneros se justaponham: corpo, dança, fotos, vídeos, música, palavra… Essa imbricação sensorial assegura ao espectador que este mundo caótico permanecerá para sempre indecifrável e que não há espaço para procurar ligações de causalidade ou culpados. (…)»

Thomas Oestermeier

Written by Jorge

Dezembro 23, 2013 at 2:26 pm

Publicado em Dramaturgia, Recortes, Reflexão

Roberto Alvim e o ensino da dramaturgia

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Um dos mais famosos dramaturgos brasileiros da atualidade, Roberto Alvim, discute como ensinar dramaturgia.

Written by Jorge

Agosto 8, 2013 at 10:14 am

Publicado em Dramaturgia, Lá fora

Dramaturgia vs Criação

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Afonso Becerra:

«(…)Igual que la “metalurgia” es el trabajo con los metales, la “dramaturgia” es el trabajo con las acciones y presupone un oficio, un artesanato e, incluso, cuando se hace con vocación, pasión y valores, puede elevarse a un “arte”.

Además, como otras disciplinas profesionales y artísticas, la dramaturgia (texto, tejido o composición de acciones escénicas), presupone unos conocimientos técnicos y metodológicos que han ido evolucionando a lo largo de la historia de las artes escénicas. Esas técnicas y metodologías que cada dramaturga/o rehace, actualiza y personaliza, suelen ser el resultado de una “tradición” de maestras/os, de artesanas/os y de artistas, que nos han servido de guía, para orientar la brújula de nuestras inquietudes teatrales. Así Gordon Craig, Tadeusz Kantor, Kurt Joss, Mary Wigman, Pina Bausch etc. han marcado tendencias y nos han servido para reorientar nuestro labor con las acciones escénicas. Lo mismo que en los textos (tejidos, partituras) escritos de Heiner Müller, Séneca, o en las reflexiones de Antonin Artaud, Sarah Kane encontró algunos de sus maestros a partir de los cuales evolucionar y refinar su poética dramatúrgica.

(…)Es bien cierto que el manejo y el conocimiento técnico, metodológico y teórico no son garantía para realizar una “obra de arte” escénica, si no existe una vocación, una pasión, algo que decir o algo sobre lo que interrogar(nos). Pero sin esas condiciones artesanales y de oficio y artificio teatral, que han ido evolucionando a lo largo de la historia, no hay posibilidad, tampoco, de realizar una “obra de arte”.» Fonte

Written by Jorge

Março 27, 2013 at 11:04 am

Publicado em Dramaturgia, Recortes

Entrevista a Joseph Danan

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Fernando Mora Ramos entrevistou Joseph Danan, entrevista essa publicada no Facebook.

Aqui fica essa entrevista reproduzida, com a devida vénia:

«Entrevista a Joseph Danan por Fernando Mora Ramos

por Teatro da Rainha a Terça-feira, 15 de Janeiro de 2013 às 17:51 ·

Quatro perguntas a Joseph Danan – professor, ex director dos Estudos Teatrais da Sorbonne Nouvelle, ensaista e dramaturgo – de Fernando Mora Ramos.

1. O teatro dos papás é uma peça-espectáculo. A tua escrita é a de um autor cénico mais do que do dramaturgo ?

Eu não acredito no «teatro das palavras ». Para mim é falhar a complexidade da escrita cénica a sua redução ao verbal. Tudo o resto existe: os corpos, a imagem cénica ou projectada, todos os meios da cena actual.

Escrevi O teatro dos papás como um seguimento de Jojo, o reincidente, uma peça puramente didascálica. Não é o caso de O teatro dos papás, mas permanecem certas coisas : é o didascálico que toma a dianteira e o dialogal que complementa quando é necessário.

Apesar disso não me considero um « autor cénico », pois delego o acto cénico num encenador. Isso talvez venha um dia a acontecer mas não é o caso desta peça que, além do mais, não saberia bem como montar… Leia o resto deste artigo »

Written by Jorge

Janeiro 25, 2013 at 11:31 am

Publicado em Dramaturgia, Entrevista

Mostra Anual de Dramaturgia 2011

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Terminada a Evocação do 30º aniversário do “Fazer a Festa”, em que as ruas da cidade se transformaram num grande palco, o Teatro Art’ Imagem organiza, nos próximos dias 18 e 19 de Junho (sábado e domingo), a MAD ’11 – “Mostra Anual de Dramaturgia- Leituras Encenadas” que decorrerá no bar Galerias de Paris, à Rua da Galeria de Paris, n.º 56, com os seguintes horários:

Sábado, dia 18 de Junho, com início às 23h59 e Domingo, dia 19 Junho, com início às 17:59. A entrada é livre.

Esta 3ª edição da MAD – “Mostra Anual de Dramaturgia – Leituras Encenadas”, é subordinada ao tema

“OUTRO PAÍS, OUTRA CIDADE, OUTRO TEMPO”.

Os textos inéditos que compõem a primeira sessão da MAD’11, sábado, 18, às 23h59, são

«Je Ne Sais Quoi», de Pedro Marques; «Portugal Tourism», de Jorge Palinhos; «O Coach», de Sandra Pinheiro; e «À Portuguesa», de Fernando Moreira.

Na segunda sessão da MAD’11, domingo, 19, às 17h59, serão lidos de novo os textos da primeira sessão e apresentados outros das oficinas de escrita teatral da ESMAE e da ESAP, escritos por alunos dos cursos de teatro destas escolas a partir da série de fotografia «Porto Interior», de Inês d’Orey.

A Direcção das Leituras é da responsabilidade de Jorge Louraço Figueira.

Recorde-se que o MAD, que teve o seu início em 2009, pretende ser um fórum teatral, especialmente dedicado à divulgação de novos textos dramáticos portugueses, respondendo, ao interesse do público por obras originais; ao interesse dos criadores em explorar novos textos com vista à sua eventual encenação; e promovendo o encontro e debate entre dramaturgos, encenadores, tradutores, críticos, estudantes, artistas de teatro em geral e públicos interessados. A coordenação desta iniciativa é do dramaturgo e crítico de teatro Jorge Louraço Figueira e do director artístico do Teatro Art’ Imagem, José Leitão.

Written by Jorge

Junho 18, 2011 at 10:56 am

Publicado em Dramaturgia, Evento

Perfil do dramaturgo Jez Butterworth

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«…He sought mentors: Harold Pinter, who appeared in the film of Mojo and "gave me a sense of fearlessness. To know that when you close your eyes and jump off the ledge, hands will hold you. Those aren’t Harold’s words. He’d never say anything like that. But that’s what I took from it." In his 2005 Nobel prize acceptance speech, Pinter suggested the way to write a play was to start with one line and see where it went; Butterworth turned off the TV and started his fourth play The Winterling there and then. (…)» (The Guardian)

Written by Jorge

Maio 18, 2011 at 11:00 am

Publicado em Dramaturgia, Entrevista