Quarta Parede

Blog de reflexão sobre teatro e dramaturgia.

Mansarda, pelos Circolando

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Do novo circo a um teatro dançado, do teatro de objectos ao concerto encenado, são múltiplas – e, por vezes, contraditórias – as etiquetas invocadas para catalogar o trabalho de uma companhia como a Circolando. Espectáculo que encerra a trilogia dedicada à Poética da Casa, Mansarda prolonga o carácter inclassificável deste teatro, que tanto se faz de esculturas, instrumentos musicais inverosímeis (inesquecíveis, as máquinas de costura reconvertidas numa orquestra de sanfonas), projecções vídeo, instalações e melopeias, como renuncia ao texto, elemento teatral de eleição. Aprofundando o peculiar método da companhia, baseado na livre associação de ideias e referências, também Mansarda se ergue sobre uma babel de matérias: textos de Gaston Bachelard, desenhos e instalações de Louise Bourgeois, escritos de Tonino Guerra e Cesare Pavese, imagens de Chagall, fotografias de George Dussaud… Depois de Quarto Interior (2006) e Casa-Abrigo (2008), espectáculos que o TNSJ em boa hora co-produziu e estreou, Mansarda instala-nos nesse lugar entre céu e terra – o sótão, as águas-furtadas –, propondo-nos um balanço da experiência da casa, espaço-tempo habitado por fiapos de sonho e lembrança.

Espectáculo de encerramento do ciclo Poética da Casa, Mansarda propõe uma súmula das várias ideias de casa que com ele queremos abordar: casas feitas de pele-memória que existem fora do tempo. Casas com raízes e sabor a terra, sensíveis ao ciclo das estações. Casas-corpo-árvore, pés mergulhados na terra e cabeça a tocar o céu. Casas com as memórias de um mundo rural antigo, com a lembrança dos campos e dos animais. Casas com os serões de trabalho e festa, com os medos da escuridão e o secreto desejo da viagem. Casas com ninhos prestes a voar. Casas que integram o vento e a chuva e acolhem um sonho de mar. Casas-ilha, casas flutuantes, casas da eternidade. Casas com as paisagens da imensidão.

 

Teatro Carlos Alberto

[17 | 27 Setembro]

quarta-feira a sábado 21:30 domingo 16:00

direcção artística André Braga, Cláudia Figueiredo

direcção e concepção plástica André Braga

dramaturgia Cláudia Figueiredo

composição musical Alfredo Teixeira

assistência de encenação Mafalda Saloio

realização plástica Nuno Guedes, Carlos Pinheiro, Sandra Neves, Américo Castanheira, Inês Mariana Moitas

desenho de luz Cristóvão Cunha

desenho de som Harald Kuhlmann

interpretação Ana Madureira, André Braga, Graça Ochoa, Inês Oliveira, Inês Mariana Moitas, João Vladimiro, Mafalda Saloio, Patrick Murys

co-produção Circolando, Próspero – Projecto Plurianual de Cooperação Cultural, Centro Cultural de Belém, TNSJ

classificação etária Maiores de 6 anos

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Written by Jorge

Setembro 17, 2009 às 4:00 pm

Publicado em Companhia, Evento

Uma resposta

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  1. Foram todas as memórias do meu passado que revivi…
    Excelente…
    Parabens Circolando

    Anjos Mendes

    Setembro 29, 2009 at 2:15 pm


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