Quarta Parede

Blog de reflexão sobre teatro e dramaturgia.

A pulhítica pelos mesmos meios

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(Nota: Lembremo-nos que em 2006 o Teatro Art’Imagem se recusou a assinar um protocolo proposto pela autarquia em que a companhia teria de se abster de “expressar críticas que pusessem em causa o bom nome e imagem do município do Porto”. Assim funcionam o tiranetes.)

Art’Imagem acusa Câmara de não cumprir a palavra

Fazer a Festa sai do Porto para a Maia, este ano, em atitude de protesto

O Teatro Art’Imagem acusa a Câmara do Porto de "não cumprimento de uma palavra dada". Em causa, o corte no apoio financeiro ao Fazer a Festa, festival que este ano – e excepcionalmente – vai decorrer na Maia. Começa dia 25.

Apesar de reconhecer à Autarquia liderada por Rui Rio o direito de determinar a política cultural da cidade, a organização do Fazer a Festa, festival que durante 27 anos foi realizado no Porto, adoptou o que diz ser uma "atitude de cidadania e de protesto". As palavras são de José Leitão, director da companhia Art’Imagem, que ontem explicou aos jornalistas o motivo da mudança do festival para a Maia, este ano.

Referiu que a Câmara assumira em Fevereiro o compromisso de ceder os habituais espaços do Palácio de Cristal e de apoiar o evento com 15 mil euros, valor igual ao de 2008. Ainda segundo José Leitão, em Março houve uma reunião convocada pela empresa municipal Porto Lazer, em que a companhia ficou a saber, por Ricardo Almeida, que ao festival "não cabia absolutamente nada em termos de apoios financeiros".

O director do Art’Imagem salienta que a referida reunião foi convocada após a publicação de uma notícia sobre o início do julgamento de uma acção interposta pelo Teatro Art’Imagem contra a Câmara em 2006. Em causa está um apoio não atribuído ao Fazer a Festa "porque a companhia se recusou a assinar uma cláusula de vassalagem", afirmou.

Os organizadores do evento (que tem decorrido no Palácio de Cristal nos últimos 15 anos) sentem-se ainda "injustiçados" pela maneira como foram tratados em relação a outros festivais da cidade, que, segundo o mesmo responsável, vão continuar a receber o apoio da Câmara. "A nós competia fazer teatro e não fazer política. Até porque isto não é política, é pulhítica", disse ainda José Leitão, para quem Rui Rio "gosta de dizer que é contra a cultura".

O Fazer a Festa irá decorrer na Quinta da Caverneira, mas a ideia é que para o ano volte ao Palácio de Cristal. A primeira consequência desta mudança é a ausência do Centro Dramático Galego, que, devido às dimensões do espaço, não pode apresentar o espectáculo de encerramento que previa, da autoria de Quico Cadaval. A segunda é que haverá menos espectadores.

O vereador da Câmara do Porto responsável pelo pelouro da Cultura não quis comentar o assunto ao JN.

JN

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Written by Jorge

Abril 15, 2009 às 5:03 pm

Publicado em Companhia, Peculiar, Recortes

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