Quarta Parede

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Porto diz adeus à ópera

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Corte no apoio anual concedido pelo Ministério da Cultura afasta produção própria do Coliseu

Pela primeira vez desde 1967, o Porto deixou de ter produção operática própria. A Associação de Amigos do Coliseu do Porto e o Círculo Portuense de Ópera dizem-se perplexos com o Ministério da Cultura.

A produção de “Rigoletto” e “Madame Butterfly”, com estreia prevista para os passados meses de Maio e Novembro, já estava em marcha quando a AACP e o CPO obtiveram a confirmação ministerial de que as suas produções de ópera, organizadas em parceria com a Orquestra Nacional do Porto, deixariam de receber por ano os 250 mil euros estatais.

“O Ministério deixou de apoiar o Coliseu, a única sala do Norte do país que produzia ópera. Como os custos eram muitos elevados – a montagem é caríssima e os gastos impossíveis de recuperar -, deixámos de ter dinheiro para as produzir”, lamenta o presidente da Associação de Amigos do Coliseu, José António Barros. O mesmo responsável adverte que, devido à falta de apoio, “deixa de haver ópera de qualidade produzida no Porto”, pelo que a oferta fica agora reduzida “às óperas de pacote vindas dos países do Leste da Europa”.

A perplexidade da Associação de Amigos é extensiva ao Círculo Portuense de Ópera, que festeja hoje 42 anos e, pela primeira vez no historial, não dispõe de projectos para a sua área de eleição. A directora, Maria José Graça, classifica o corte na verba como “um castigo injusto para uma instituição cumpridora e agraciada com medalhas de mérito da Câmara do Porto e do Ministério da Cultura”.

Apesar do revés, tanto mais incompreensível porque “as nossas produções de ópera tinham público e eram elogiadas pela crítica”, Maria José Graça afirma que o Círculo não vai cruzar os braços. “Estamos a fazer concertos corais e se um grupo de rock precisar de um coro de ópera, lá estaremos”, exemplifica.

Interpretação diferente da cessação do apoio tem o Ministério da Cultura, que justificou a não renovação do protocolo pelo subsídio governamental à Casa da Música (CdM). “Cumprimos o protocolo em 2006 e 2007 levando em linha de conta não só o apreço do público do Porto pela ópera, como a inexistência de outras estruturas capazes de produzir esses espectáculos. Todavia, o cenário alterou-se com o apoio que o ministério atribui anualmente à CdM, o qual já contempla verbas para a ópera”, adiantou ao JN o gabinete de comunicação.

A decisão apanhou de surpresa a própria comunidade musical. José Ferreira Lobo, da Orquestra do Norte, apelida de “altamente meritórios” os espectáculos realizados no Coliseu e afirma não encontrar motivos que possam justificar a decisão ministerial. “Por vezes, gasta-se muito dinheiro para um público diminuto, mas não era sequer o caso”, diz. O maestro da orquestra sediada em Amarante entende, porém, que a perda pode ser um ponto de partida para que o Porto concretize uma aspiração de longa data: uma companhia de ópera. “As tradições da ópera no Porto remontam aos anos 40 e, com uma união de esforços, poderia ser criada uma estrutura forte”, sintetizou.

JN

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Written by Jorge

Dezembro 17, 2008 às 10:56 am

Publicado em Recortes

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