Quarta Parede

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Projecto Tell põe o público “às escuras” para se ver melhor a arte

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Projecto Tell põe o público “às escuras” para se ver melhor a arte

Sete artistas, um palco às escuras, o público quase “às aranhas”. É o desafio lançado na sessão inaugural do Tell, hoje, no Passos Manuel

Esta noite – uma noite mais escura do que as outras – sete artistas sobem ao palco do Cinema Passos Manuel com o propósito de “criarem alguma coisa”. É um “desafio à criação”, um “manifesto da produção”, mas sempre às escuras. No projecto Tell o que interessa é a obra e, por isso, ao contrário do que é habitual, não haverá luz na sala. “As pessoas estão extremamente habituadas à visão e vamos privá-las desse sentido”, explica Inês Maia, uma das organizadoras.
O encenador Miguel Cabral, a cantora Ana Deus, a actriz Isabel Alves Costa, o escritor valter hugo mãe, o colectivo Calhau! e os performers Alexandre Osório e Susana Chiocca são os artistas que responderam ao apelo da primeira sessão do Tell. Numa apresentação de 7 a 12 minutos, os sete tentam responder, de acordo com as suas competências criativas, à pergunta: “Tem alguma coisa a dizer no escuro?”. “São artistas corajosos e agora queremos ver se o público também é corajoso”, graceja Sérgio Marques, outro membro da organização.
“Aterrorizado” é como o escritor valter hugo mãe se sente face ao espectáculo desta noite. Ficou “surpreendido” com o convite, mas aceitou “de imediato”. No entanto, à medida que o evento se aproxima, está cada vez mais ansioso. “Sou, acima de tudo, um escritor. E a ideia de colocarem um escritor em espectáculos performativos é… arrojada.” Não levantando muito o véu, valter hugo mãe traça um pequeno “itinerário de referências” para a sua apresentação: “Tem a ver com George Gershwin [compositor americano], Nat King Cole e o medo do escuro.”
Nem todos os artistas aceitaram instantaneamente a ideia. Afinal, o “escuro significa medo, pode ser pornográfico ou até a cegueira”, o que é “difícil” para alguns criadores e “pouco confortável” para o público. Mas, para Sérgio Marques, também “inspira outros sentidos”.
A lenda de Guilherme Tell está permanentemente ligada ao projecto. Reza a história que o herói suíço terá sido forçado pelo governador austríaco a disparar uma besta em direcção a uma maçã pousada a vários metros sobre a cabeça do próprio filho. Aqui, os artistas são também induzidos a “acertar na maçã”, diz Inês Maia. Mesmo “às escuras”.

Público

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Written by Jorge

Novembro 13, 2008 às 9:14 am

Publicado em Evento

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