Quarta Parede

Blog de reflexão sobre teatro e dramaturgia.

Ricardo Pais em entrevista ao Público

leave a comment »

Aqui, aqui e aqui.

Alguns excertos (destaques nossos):

“…o TNSJ sempre deu uma imagem muito optimista e nunca quis parecer pobre como é: apesar de irmos dizendo que o orçamento decresce 14 ou 15 por cento regularmente desde 1995, ninguém acredita, apesar de irmos dizendo que temos quatro edifícios à nossa responsabilidade, dos quais três são monumentos nacionais, ninguém parece ligar muita importância, porque, em princípio, o teatro vai.”

“Vou pedir a minha reforma no dia 2 de Janeiro, e a seguir veremos. Tive uma reunião com o ministro há pouco tempo, em que foram enunciados finalmente os principais problemas com que nos debatíamos – e que constavam de pelo menos 150 documentos [enviados] para as duas tutelas, Finanças e Cultura.”

“Um dos projectos da minha vida neste momento é contribuir para que se clarifique o acesso às direcções dos teatros nacionais e dos organismos de Estado que gerem a cultura. Não se janta aqui e se convida uma pessoa para director de um teatro nacional, nem se anda à procura no mercado a ver quem é que está disponível, porque ninguém sabe fazer este lugar.”

“…acho que isto devia ser feito como se faz na maioria dos países civilizados da Europa, por um concurso limitado a cinco ou seis criadores-programadores. É assim que se pode chegar finalmente à transparência democrática.”

“E depois, até ver, deixa de se fazer o trabalho com os mais novos em continuação do festival 30 por Noite, que era a via que eu considerava mais importante, mais criativa e mais fundadora.”

“Os números que interessam significam fidelização de públicos a démarches artísticas particulares, porque o fim para que esta casa existe (…) é a qualidade do teatro que fazemos e o reconhecimento que o público faz disso. Portanto, quando digo que esperamos 61 mil espectadores este ano, é um número astronómico.”

“O problema das políticas culturais é internacionalmente grave: em França, é gravíssimo, os paradigmas estão mesmo a cair pelo descaramento e pela aisance de alguns políticos de facto fracturantes como o Sarkozy, para dar apenas um exemplo do que é uma espécie de Pedro Santana Lopes a sério. A protecção às artes e os sistemas integrados com os quais se pôde contar para desenvolver um trabalho continuado, tudo isso está a ficar muito perigoso, até porque quando o dinheiro falta é à cultura que vai faltar. Aqui a questão põe-se de uma maneira muito particular. Em países que estão ainda em vias de desenvolvimento cultural como nós, a next big thing é sempre aquilo que esquece o que ficou por fazer, e é por isso que eu embirro tanto com os clusters, com as indústrias criativas e com os chamados programadores modernos, porque estão sempre à procura da última novidade para fazer de conta que a gente vai ser como São Francisco. A criação teatral portuguesa está ainda a crescer – apoiá-la devia ser uma missão nacional, aliás como o cinema e todas as artes periféricas que não podem viver do mercado. Isto tinha que ser feito como parte de um projecto cultural para o país: não tenho visto esse projecto nestes últimos anos, não o tenho visto seguramente nestas governações.”

Comentários à entrevista de Catarina Martins, Nuno CasimiroJoão Paulo Sousa

Anúncios

Written by Jorge

Novembro 3, 2008 às 12:47 pm

Publicado em Instituição

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: