Quarta Parede

Blog de reflexão sobre teatro e dramaturgia.

Agustina em palco e em palavras amigas

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Até 31 deste mês, a Seiva Trupe rende homenagem a Agustina Bessa-Luís, convidando personalidades do Porto para falarem sobre a vida e a obra da escritora. Anteontem, Artur Santos Silva pisou o palco do Teatro do Campo Alegre.

Foi em tom gracioso que o presidente do Conselho de Administração do BPI proferiu as primeiras palavras na iniciativa da Seiva Trupe. Porque a carreira teatral nasceu e morreu nos tempos em que estudou em Coimbra – tentou ser actor, mas fez dois testes de mímica e por aí ficou -, começou por dizer que a noite de anteontem era de glória: Artur Santos Silva pisava, finalmente, um palco.

Segundo convidado do ciclo evocativo que a Seiva iniciou no passado dia 15, o mesmo em que Agustina completou 86 anos, Artur Santos Silva mudou depois para um tom carinhoso, lembrando que foi com a leitura de “A sibila”, romance editado em 1954, que a escritora entrou na sua galeria “dos melhores”. A relação de amizade que mantém com a família de Agustina e o apoio que dela teve nos “momentos mais dolorosos” foram alguns dos aspectos que realçou.

Artur Santos Silva trabalhou de perto com Alberto Luís, marido de Agustina, e a presença frequente na residência do casal permitiu-lhe conhecer outros vultos da cultura, como Eugénio de Andrade. Sobre Agustina enquanto escritora, salientou a diversidade da escrita, o “grande rigor” e a “atracção por atacar temas complexos e difíceis”. Tudo junto numa mulher com “grande sabedoria”, sempre ponta a estimular os outros “sem dogmas nem atitudes radicais”.

Este tributo da Seiva Trupe decorre momentos antes da apresentação da peça “Estados eróticos imediatos de Sören Kierkegaard”, peça de Agustina encenada por Roberto Merino, em cena na pequena sala do Teatro do Campo Alegre até ao próximo dia 31. Dos convidados da próxima semana, destaca-se Belmiro de Azevedo, que marcará presença no dia 22.

O espectáculo é centrado na figura de Sören Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês do século XIX. Paulo Calatré, Isabel Nunes, Jorge Loureiro, Clara Nogueira e Anabela Nóbrega são os actores principais da peça, que explora as contradições de Sören num dos momentos mais marcantes da sua vida – aquele em que se perdeu de amores por Regina Olsen.
JN

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Written by Jorge

Outubro 20, 2008 às 4:41 pm

Publicado em Evento, Instituição

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