Quarta Parede

Blog de reflexão sobre teatro e dramaturgia.

TNSJ reabre hoje a pensar nas contas de 2009

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TNSJ reabre hoje a pensar nas contas de 2009

05.09.2008, Inês Nadais

Ricardo Pais só teria coisas boas a dizer da programação do Teatro Nacional S. João (TNSJ) para este quadrimestre – que abre hoje com a estreia absoluta de Feminine, a nova criação de Paulo Ribeiro (ver suplemento Ípsilon) – se não tivesse tantas coisas más a dizer da programação do TNSJ para o próximo ano, parte da qual foi obrigado a cancelar esta semana por razões orçamentais. Há sinais dessa disforia já em Dezembro: o PoNTI desapareceu do calendário do S. João, embora se mantenham dois espectáculos que praticamente fazem um festival internacional sozinhos, uma montagem do polaco Krzysztof Warlikowski para os Purificados, de Sarah Kane (5 e 6 de Dezembro), e o novo espectáculo da dupla Deschamps & Makeïeff, Salle des Fêtes (11 e 12).
Não há PoNTI este ano, nem vai voltar a haver PoNTI no “tempo de vida” de Ricardo Pais à frente do teatro, admite ele ao P2: “O modelo de dispersão dos espectáculos internacionais ao longo do ano é efectivamente mais barato, mas também é menos produtivo. O Ministério da Cultura (MC) sugeriu-nos que cancelássemos o festival e foi o que fizemos, mantendo estes dois espectáculos em Dezembro e a vinda do Antunes Filho em 2009. Mas não é possível continuar a trabalhar para um festival que depois nunca acontece”.
De momento, o director artístico do TNSJ está a trabalhar para O Mercador de Veneza, encenação que vai estrear a 6 de Novembro e que lhe tem colocado “questões muito particulares” (vão estar em debate num ciclo de conferências sobre a condição judaica em Portugal, de 13 a 15 de Novembro): “É uma peça que põe inevitavelmente o problema da consanguinidade judaico-cristã, mas também é uma coisa muito mais importante do que isso: é uma peça do Shakespeare, ponto”. Depois disso, nada: “Já cancelei a minha encenação para 2009. E se isso saltou, não tenho nada para fazer no próximo ano a não ser reposições”, sublinha (Turismo Infinito e Cabelo Branco é Saudade vão continuar a viajar).
É a primeira de várias baixas em 2009: o Mosteiro de S. Bento da Vitória, por exemplo, vai estar fechado à actividade artística durante todo o próximo ano porque não há dinheiro para tudo. “O TNSJ fez um esforço brutal no ano passado para se transformar em empresa – essas despesas não foram previstas por ninguém e correram totalmente às nossas custas. E depois o que se sacrifica é sempre a programação. A relação entre os custos directos de produção e os custos inertes da casa é insensata. Isto dá conta do efectivo desnorte gestorial do Estado”, acusa Ricardo Pais, que não compreende que instituições com outros modelos de gestão “que nem sequer são controlados pelo Estado tenham orçamentos infinitamente superiores” ao do TNSJ (sim, estamos a falar da Fundação de Serralves e da Casa da Música). O teatro, insiste, podia ser a guarda-avançada da política da língua que parece ser o novo Eldorado do MC, mas não é o caso: “É o lugar da língua por excelência e nem sequer é mencionado. A programação que aqui está é o produto da nossa capacidade de fazermos sozinhos”.
Público

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Written by Jorge

Setembro 5, 2008 às 3:48 pm

Publicado em Instituição

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