Quarta Parede

Blog de reflexão sobre teatro e dramaturgia.

Terminus, de Mark O’Rowe

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Os serial killers também têm alma, no Terminus de Mark O”Rowe

05.06.2008, Inês Nadais

Há um serial killer (Sérgio Praia) que vendeu a alma ao diabo no último texto do dramaturgo irlandês Mark O”Rowe – e a alma-penada desse serial killer salva umas pessoas enquanto o corpo dele mata outras. A vida é assim, sobrenatural e hiper-realista, tudo ao mesmo tempo, no teatro de Mark O”Rowe (estar dentro do teatro dele é tão estranho como estar dentro de Finnegans Wake, a coisa mais difícil que James Joyce escreveu, lê-se numa entrevista do The Guardian), mas a Assédio sente-se bem lá dentro. Depois da experiência que teve há três anos, com Ossário, a companhia regressa agora ao local do crime: Terminus tem estreia hoje, no 31º FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica.
O corpo sem alma e a alma sem corpo do serial killer não são as únicas personagens disfuncionais no texto de Mark O”Rowe: também há uma mulher (Rosa Quiroga) que quer expiar a relação frustrada que tem com a filha num serviço de voluntariado, e outra mulher (Micaela Cardoso) que encontra o amor ideal minutos antes de morrer (ou não: há uma alma-penada que salva pessoas). Não falam umas com as outras, mas falam connosco. “Pouco a pouco, estas personagens desvendam-se à nossa frente e vamos percebendo que são coincidentes num determinado tipo de vida. As vidas delas são vidas cruzadas”, explica o encenador, João Quiroga, ao P2. Para os actores, continua, foi sobretudo um trabalho em cima do texto – e um trabalho particularmente exigente, tendo em conta a estrutura peculiar de Terminus: “A tradução, do Francisco Luís Parreira, tentou transpor tanto quanto possível esse jogo de ecos e de rimas que está no texto inglês original.”
Apesar de todo este teatro se passar num plano paranormal, há um impressionante efeito de realidade nos textos de Mark O”Rowe, e é esse efeito que a Assédio procura. “O Mark O”Rowe tem uma linguagem entre o sublime e o reles que nos interessa muito. O teatro dele é muito poético, e ao mesmo tempo muito forte. Isso serve o nosso projecto de programação: queremos fazer coisas que interpelem a vida quotidiana das pessoas. Tudo isto é impressionantemente concreto”, diz João Cardoso.
Terminus está hoje e amanhã no Teatro Helena Sá e Costa, às 21h30. Depois do Verão, a Assédio repõe a peça, a partir de 11 de Setembro – por falar em serial killers.

Público, 05-06-2008

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Written by Jorge

Junho 5, 2008 às 4:14 pm

Publicado em Festival, Recortes

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