O Marinheiro, de Fernando Pessoa
Dando continuidade a um trabalho de pesquisa centrado na procura de novas formas e sentidos para o Teatro na vida urbana contemporânea e a um projecto que tem privilegiado a investigação meta-teatral, os espaços não teatrais e as formas monologadas, o Teatro Plástico apresenta “O Marinheiro” de Fernando Pessoa.
Escrita/datada de 11 e 12 de Outubro de 1913 e nunca representada em vida do autor, O Marinheiro foi a primeira obra que Fernando Pessoa publicou na Orpheu, a mítica revista do movimento modernista português. Antecipando o “drama em gente” dos heterónimos, foi com O Marinheiro e na persona de dramaturgo que o maior poeta do século XX escolheu apresentar-se perante a vanguarda do seu tempo.
Ao condensar todas as obsessões Pessoanas O Marinheiro representa uma das mais fascinantes e menos exploradas máscaras da torrencial produção do autor e apesar de ser um dos mais importantes e belos textos da história do teatro e literatura portuguesas, raramente é representado. Esta obra que na teatralidade da obra heterónima ocupa um lugar único foi, de entre mais de vinte projectos teatrais, o único texto dramático que Fernando Pessoa completou e editou em vida e acompanhou-o ao longo da sua singular e breve existência, adaptando-o até perto da morte.
Este drama estático – teatro do êxtase, corresponde na babel Pessoana à primeira fase da sua obra e à ligação aos simbolistas e ao movimento saudosista português. Inspirado manifestamente em Maeterlinck cumpre as principais coordenadas estéticas do mentor do movimento mas propõe-se, nas palavras de Pessoa, “fazer muito melhor”.
Numa dimensão para além do espaço e tempo três mulheres velam um corpo e contam-se histórias, uma história: a de um marinheiro que, naufrago numa ilha deserta, constrói para si uma realidade ficcional mais poderosa e real do que a realidade. Presas nas teias da ficção, suspensas entre passado e futuro nessa vida maior do que a vida que é a Arte, estes espectros cujas vozes se sucedem e encadeiam como numa missa coral vão tecendo um longo mantra onírico e hipnótico e construindo um rigoroso poema visual.
Na sua recusa de todas as regras básicas teatrais (acção, conflito, personagens) O marinheiro é uma obra limite e provocatória e, como verdadeira vanguarda, permanece actual. A sua complexidade e jogo de espelhos meta-teatral e o modo como subverte e condensa as regras teatrais e poéticas, permanece um fascinante desafio para qualquer criador contemporâneo.
Questionário sobre as vidas dos artistas
A Plateia divulga vários questionários sobre as condições de vida dos artistas.
Funeral de Jorge Vasques
O corpo de Jorge Vasques encontra-se em câmara ardente na capela mortuária da Igreja de Cedofeita.
Na quarta-feira, às 11h30, haverá missa de corpo presente, que depois seguirá para o Cemitério Prado do Repouso, onde terá lugar a cremação.
O actor e a sociedade
Um texto de Manuela de Freitas sobre o papel do actor, que vale a pela ler ou reler…
Para que o público receba com a inteligência, os sentidos e a emoção o que o actor lhe propõe, este vai buscar às outras artes, às ciências, às filosofias, aos rituais religiosos e a todas as formas de cultura, as técnicas que o ajudam a conhecer-se melhor e a melhor utilizar o seu pensamento, os seus sentidos e emoções, fazendo deles matéria de criação. Vivendo e convivendo com o que é, o que recusa, o que teme, o que deseja, é atento como uma antena e nada lhe é estranho ou alheio. Confronta-se com as suas capacidades e incapacidades, vícios e virtudes e torna-se uma espécie de base de dados a que vai buscar tudo o que serve para dar vida a cada nova personagem. Do seu encontro com ela o actor cria uma terceira entidade, única e irrepetível.
Quartas dos Contos apresenta Raquel Queizás
A Tertúlia Castelense recebe na quarta-feira, 30, pelas 22h30, a contadora de histórias galega Raquel Queizás.
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Debate sobre políticas culturais
A PLATEIA realiza um encontro entre candidatos à Câmara Municipal do Porto para discutir e comparar as propostas dos vários partidos em termos de política cultural. O debate será moderado pela jornalista Inês Nadais, do jornal Público e terá lugar na FNAC de Santa Catarina, no Porto, na Segunda-feira, 28 de Setembro pelas 18h. No debate participam Amélia Cupertino de Miranda (CDS-PP), Nicolau Pais (PS), Catarina Martins (BE) e nome a confirmar (CDU).
O Marinheiro – Debate
A propósito da estreia de “O Marinheiro” de Fernando Pessoa o Teatro Plástico apresenta no dia 29 de Setembro, pelas 18h, no café-concerto da FNAC de Sta. Catarina, uma leitura, seguida de debate, sobre o único texto dramático que o genial autor completou e editou em vida. A entrada é livre
Formação Transdisse
10-11 de Outubro- Encontro Teórico-Prático de Saúde Holística, dinamizado pelos Prof. Kazuo e Alicia Kon. Inscrições até 7 de Outubro.
16-18 de Outubro – A Dimensão Ritual do Tempo na Tradição Mexicana, com Kanthavel Pasupathipillai. Inscrições até 12 de Outubro.
25 de Outubro – Introdução ao Som das Taças Tibetanas, suas Aplicações e Potencialidades, com Ana Taboada. Inscrições até 21 de Outubro.
4-6 de Outubro – Curanderia Mexicana. A Arte de Curar, com Kanthavel Pasupathipillai. Inscrições até 30 de Novembro.
13-15 de Outubro – Introdução ao VOICING , por Pratibha de Stoppani. Inscrições até 20 de Outubro de 2009
email: terranaboca@gmail.com
Tel. 93 430 09 78
O Feio, de Marius von Mayenburg
Lette pensava que era “normal”, mas no dia em que a empresa onde trabalha o proíbe de participar na promoção da sua mais recente invenção industrial ele descobre que é “feio”. Convencido – inclusive pela sua mulher – da sua extraordinária fealdade, acaba por se dirigir a um cirurgião que lhe dá um rosto de Adónis, tornando-o irresistível à sua mulher, a uma série de admiradoras no circuito de palestras e até mesmo ao chefe de uma grande empresa e ao seu filho gay. Todo este entusiasmo acaba, contudo, por dar lugar ao desespero, quando Lette descobre que o cirurgião repetiu a operação noutros homens e se depara com um mundo subitamente invadido por um sem número de sósias seus. Esta é uma história satírica na qual a fantasia e uma certa hiperrealidade se cruzam, para dar lugar à exploração da obsessão contemporânea com a beleza externa, a brutalidade do sistema capitalista e o perigo de tratar o corpo humano como um objecto mecânico de fácil reparação.Teatro Helena Sá e Costa
O Feio (Der Hässliche), de Marius von Mayenburg, retoma a interrogação sobre os limites da identidade já explorada pela ASSéDIO através da encenação, em 2005, de Um Número (A Number), de Caryl Churchill.
19 a 27 de Setembro
22h
Rua da Alegria, 503 (Entrada R. Escola Normal, 39)
2251899823
thsc@esmae-ipp.pt
