Notas sobre o FITEI – 2
- Últimas Palavras do Gorila Albino, de Juan Mayorga, pelos Artistas Unidos
Um texto interessante, bem conseguido, mas cujo grande peso filosófico não o deixam aspirar a cargas mais elevadas. Curiosamente, a encenação tem uma leveza que contrasta com a dramaturgia mas acaba por lhe dar um certo fôlego. Boa nota para o actores que, em diferentes estilos, acabam por deixar uma forte impressão das suas personagens.
- Orésteia, O Canto do Bode, de Ésquilo, pelo Folias d’Arte
Uma excelente combinação de teatro popular e teatro erudito, feito com inteligência, empenho, criatividade e uma fortíssima ideia de encenação. Pena só as condições acústicas que fizeram perder grande parte do entendimento do texto.
Notas do FITEI
Peças Vistas:
- Hamelin, de Juan Mayorga, dos Artistas Unidos
Um texto de excelente construção fabulística, em que a presença do narrador introduz uma dimensão inquietante na montagem teatral. A encenação é despojada e eficiente, dando lugar à capacidade dos actores criarem a credibilidade emocional da história.
- Contos em Viagem – Cabo Verde, pelo Teatro Meridional
Uma compilação de contos e poemas de Cabo Verde numa deslumbrante interpretação de Carla Galvão e um notável acompanhamento musical e sonoro de Fernando Mota.
Peças a ver:
- Últimas Palavras do Gorila Albino, de Juan Mayorga, pelos Artistas Unidos
- Orésteia, O Canto do Bode, de Ésquilo, pelo Folias d’Arte
Terminus, de Mark O’Rowe
Os serial killers também têm alma, no Terminus de Mark O”Rowe
05.06.2008, Inês Nadais
Há um serial killer (Sérgio Praia) que vendeu a alma ao diabo no último texto do dramaturgo irlandês Mark O”Rowe – e a alma-penada desse serial killer salva umas pessoas enquanto o corpo dele mata outras. A vida é assim, sobrenatural e hiper-realista, tudo ao mesmo tempo, no teatro de Mark O”Rowe (estar dentro do teatro dele é tão estranho como estar dentro de Finnegans Wake, a coisa mais difícil que James Joyce escreveu, lê-se numa entrevista do The Guardian), mas a Assédio sente-se bem lá dentro. Depois da experiência que teve há três anos, com Ossário, a companhia regressa agora ao local do crime: Terminus tem estreia hoje, no 31º FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica. (mais…)