Quarta Parede


Catástrofe, de Samuel Beckett

Publicado em Evento, Recortes por Jorge no Janeiro 4, 2008

Teatro Plástico encerra ciclo com “Catástrofe”

Uma peça clara e simples mas ao mesmo tempo irónica, sobretudo pela abordagem crítica que faz ao meio teatral. É esta a essência de “Catástrofe”, texto escrito por Samuel Beckett em 1982 e que o Teatro Plástico mostra agora ao público do Porto, numa encenação de Francisco Alves. Entre hoje e o dia 18, na sala do Helena Sá e Costa.

“Catástrofe” representa também o fechar de um ciclo que a companhia dedica ao dramaturgo irlandês desaparecido em 1989. Depois da apresentação de “Eu não”, trabalha-se agora a penúltima obra teatral de Beckett, escrita em homenagem a Václav Havel, então prisioneiro do regime e também o homem que viria a ser o último presidente da Checoslováquia e o primeiro da República Checa.

Mas nem é por aqui que se esbarra na vertente política. Além de ser “uma peça muito positiva, sobre a indestrutível capacidade de resistência humana”, assim classificada pelo encenador, “Catástrofe” é “uma peça claramente política pala análise que Beckett faz do meio teatral”. O que, pelas palavras de Francisco Alves, encontra paralelo na realidade portuguesa “Portugal é um país muito corrupto. As pessoas têm ideia de que o teatro vive por si só, mas o teatro é uma emanação da vida. E um país corrupto tem forçosamente um teatro corrupto”.

Apontando o dedo aos falsos criadores e à promiscuidade entre a arte e a política, esta peça - ela mesma um ensaio geral - começa por ser uma sátira ao universo beckettiano. “É também um grande ajustar de contas de Beckett consigo próprio e com o facto de nunca ter defendido, para a sua obra, uma função pedagógica. Aqui, dá-se o inverso”, acrescenta Francisco Alves.

Com interpretação de Rute Miranda, José Carretas e António Júlio - a quem se junta António Durães na voz off -, “Catástrofe” estreia logo às 21.30, sendo apresentada nesse horário de terça a domingo.

JN

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