Quarta Parede

Blog de reflexão sobre teatro e dramaturgia.

Câmara do Porto promete TCA por 4 meses a companhias de teatro.

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Uma muito pequena boa notícia: a Câmara Municipal do Porto, na pessoa do seu vereador da Cultura, Gonçalo Gonçalves, prometeu que o Teatro do Campo Alegre passará a ser cedido, gratuitamente ou pelo custo simbólico de 5 a 10% das receitas da bilheteira, durante quatro meses por ano, às companhias de teatro do Porto que queiram usar o espaço.

Parece, de facto, uma boa iniciativa, mas tenho algumas questões:
- Quatro meses a dividir pelas 16 companhias que a autarquia convidou dá uma média de uma semana por companhia, um tempo manifestamente insuficiente para um espectáculo ganhar divulgação e consolidação financeira. Isto, se formos optimistas e acharmos que as companhias não precisam de tempo para ensaios no palco…
- … e onde actuarão as ditas companhias no resto do ano?
- Afirma-se que o protocolo é válido para este ano, mas que será difícil fazer marcações para já porque a Seiva Trupe, que ocupa espaço, tem a sua programação já definida. Ou seja, é uma medida que, na prática, só funciona para o ano que vem.
- Se houver sobreposição das datas que interessam às companhias, terão preferência as companhias que tiveram mais público no ano anterior. Este critério, para além de ser pescadinha de rabo na boca, parece a continuação do critério de entregar o Rivoli à gestão de Filipe La Feria: privilegia-se quem tem sucesso e não quem tem qualidade. Para que é que precisam de mecenato autárquico aqueles que têm sucesso?
- Que coerência tem entregar um teatro municipal e central à exploração privada e depois entregar “parte” de um teatro universitário, que está ocupado por uma companhia privada, para ser utilizado pelas companhias de teatro da região?

Abaixo estão as fontes noticiosas.

Teatro Campo Alegre cedido gratuitamente a companhias do Porto
As companhias de teatro residentes na cidade do Porto vão poder usufruir gratuitamente das instalações do Teatro do Campo Alegre por um período de quatro meses por ano, anunciou hoje o vereador da Cultura da Câmara do Porto. Em conferência de imprensa, Gonçalo Gonçalves afirmou que, no âmbito desta «nova política de acolhimento» do Teatro do Campo Alegre, foram já enviadas cartas-convite a dezasseis companhias teatrais para que, até ao fim de Abril, apresentem as suas propostas de utilização daquele espaço, já para este ano.

Além das instalações, segundo o vereador, os grupos de teatro da cidade do Porto terão também ao seu dispor, sem custos, a respectiva equipa técnica (de luz, som, imagem e assistente de palco).

«As companhias terão apenas de deixar uma pequena percentagem das receitas da bilheteira para ajudar a custear as despesas de manutenção do teatro», disse Gonçalo Gonçalves.

Referiu que essa «pequena percentagem» deverá situar-se entre os «cinco e os dez por cento».

Segundo o autarca, o período de quatro meses poderá ser alargado, se «a programação da companhia Seiva Trupe (que tem um contrato de ocupação daquele teatro até 2014), assim o permitir».

«A Seiva Trupe apresenta, até final de Setembro, a sua proposta de utilização do espaço e só nessa altura poderemos saber com exactidão o período que poderemos dispensar a outras companhias da cidade», acrescentou o autarca.

Contudo, frisou Gonçalo Gonçalves, nos casos em que a cedência do teatro seja superior aos quatro meses protocolados, as despesas acrescidas com as equipas técnicas terão se ser suportadas pelos respectivos grupos.

«No caso de existirem conflitos de datas a direcção do «Campo Alegre» dará prioridade à companhia que teve mais público no ano anterior», acrescentou.

O Teatro do Campo Alegre é propriedade da Fundação Ciência e Desenvolvimento, constituída em 1995 pela Câmara do Porto e pela Universidade do Porto.

Em 1999, foi estabelecido um contrato de exclusividade, por um período de 15 anos, com a companhia de teatro Seiva Trupe.

O Teatro do Campo Alegre dispõe de um grande auditório, café-teatro, sala-estúdio, galeria de exposição e oficinas de ensaio, entre outros espaços.

Diário Digital / Lusa

Teatro do Campo Alegre vai acolher as companhias do Porto
O Vereador da Cultura, Gonçalo Gonçalves, anunciou hoje uma nova política de acolhimento prevista para o Teatro do Campo Alegre, no âmbito do continuado processo de apoio concedido pela CMP a todas as companhias de teatro da cidade.
Assim, foram hoje mesmo enviadas cartas-convite a todas as companhias teatrais sedeadas no Porto, contendo uma proposta de protocolo a três anos, visando a utilização gratuita das instalações do Teatro do Campo Alegre, durante um período total de quatro meses por ano.

O agendamento das datas apresentado pelas companhias interessadas não poderá, todavia, colidir com os compromissos contratualmente firmados com a Seiva Trupe, a companhia residente daquele espaço, cujo contrato, assinado em 2000, expira em finais de 2014.

A autarquia apenas contrapõe a cada companhia que entregue uma percentagem simbólica das receitas de bilheteira, destinada a contribuir para os custos de manutenção daquele equipamento municipal.

Ainda de acordo com a proposta de protocolo agora divulgada, durante esse período de quatro meses, a Fundação Ciência e Desenvolvimento – a entidade responsável pela gestão do Teatro do Campo Alegre – tratará também de assegurar a contratação de técnicos de montagem, som, luz e assistentes de sala, sem quaisquer encargos para as companhias.

Em anos em que a disponibilidade das salas for superior a quatro meses, a autarquia oferece às companhias a possibilidade de acederem a esse tempo adicional, sem no entanto, nesse caso, se responsabilizar pela contratação dos referidos técnicos.

No caso de existir sobreposição de datas, decorrente da agenda da Seiva Trupe e da cada uma das restantes companhias, serão privilegiadas as companhias que, nos anos anteriores, atraíram mais público.

«Esta decisão implica, necessariamente, um reforço de investimento, nesta área, por parte da CMP, uma vez que o Teatro do Campo Alegre não dispõe de uma vasta equipa de técnicos, o que significa que os mesmos terão de ser recrutados para fazer face às necessidades artísticas das peças que ali vierem a ser levadas à cena», concluiu Gonçalo Gonçalves, que se encontrava acompanhado por Ana Moura, Directora Executiva da Fundação Ciência e Desenvolvimento.

CMP 

Escrito por Jorge

Abril 10, 2007 às 4:21 pm

Na categoria Comentário, Recortes

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