Interrupção
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José Maria Vieira Mendes recebe prémio luso-brasileiro
O primeiro prémio luso-brasileiro de dramaturgia António José da Silva, criado pelo Instituto Camões e pela Fundação Nacional de Arte do Brasil, foi atribuído ao jovem dramaturgo português José Maria Vieira Mendes pela peça A Minha Mulher. A peça será produzida no Teatro Nacional D. Maria II e no Brasil (num dos espaços da fundação brasileira), editada nos dois países e o prémio é de 15 mil euros. Resulta de uma parceria entre aqueles dois institutos, ao qual se associam ainda os portugueses Instituto das Artes (IA) e o D. Maria II, que financiam o espectáculo. A escolha de Vieira Mendes entre os oito finalistas (quatro brasileiros e quatro portugueses) foi unânime. Só de Portugal foram a concurso mais de 80 peças. Do lado português, o júri foi composto pelo crítico de teatro do Expresso João Carneiro, pelos encenadores João Lourenço e João Mota, pela crítica Eugénia Vasquez, pelo teatrólogo Duarte Ivo Cruz e pela actriz e dramaturga Cucha Carvalheiro; do lado brasileiro, pelos encenadores Reinaldo Maia e Marco António Rodrigues e pelo historiador de teatro Fernando Peixoto. Vieira Mendes, de 30 anos, está em Nova Iorque onde vai ser lida a peça premiada no festival Hot Ink. É considerado um dos mais talentosos dramaturgos da sua geração. Escreveu a peça original T1, produzida pelos Artistas Unidos, várias peças a partir de textos de outros autores (de Dostóievski, Kafka, Schnitzler ou Damon Runyon) e dois textos para teatro, Chão e Super-Gorila, produzidos pelo Útero e Teatro Praga, respectivamente. Há poucos dias a sua peça T1, que está traduzida em várias línguas (como inglês, castelhano, francês e alemão), estreou-se em Berlim. Vieira Mendes, que recebeu o Prémio Revelação do IA e da Gulbenkian em 2000, traduziu ainda vários autores como Samuel Beckett, Harold Pinter, Bertolt Brecht e Heiner Müller.
Ricardo III troca de nome (e de cadeira)
Mau Artista estreia hoje uma adaptação livre do texto de William Shakespeare, no Teatro Helena Sá e Costa, no Porto
É provável que já o tenhamos visto em qualquer lado, mas este não é bem o Ricardo III a que nos habituámos: é um Ricardo III bastante mudado, tipo commedia dell”arte, teatro físico, Buster Keaton. Tipo Mau Artista, a companhia que a partir de hoje, no Teatro Helena Sá e Costa, no Porto, passa de nível (do nível café-teatro para o nível teatro à italiana) com R.III, uma adaptação livre do texto de Shakespeare. (mais…)
Estreia RIII, pelo Mau Artista

Adaptação livre de Ricardo III de William Shakespeare
“R. III” adaptação livre da obra de William Shakespeare Ricardo III, é uma comédia negra de traços grotescos e bizarros que anda de braço dado com o musical. Uma mistura explosiva que torna este espectáculo apto para quase todo o tipo de públicos, (desaconselhando-se desde já a pessoas que sofram de ideias feitas e achem que os clássicos são invioláveis), R. III trata da permanente disputa do poder a qualquer preço e a falta de escrúpulos para a conquista e manutenção dele. O protagonista, impedido pela sua deformidade de usufruir dos prazeres da conquista amorosa, planeia chegar ao poder mesmo sendo dos últimos na linha sucessória. Para alcançar o seu objectivo, utiliza vários estratagemas: conspira, manipula, explora, agrega apoios, promove alianças por conveniências momentâneas, cria adesões e coligações, persegue e condena à morte os opositores. Movido pela sede de poder Ricardo III articula-se nas sombras, até alcançar o triunfo almejado: o trono. R.III dá-nos, ironicamente, a possibilidade de mergulhar nas nossas consciências individuais e ver no nosso interior a presença da sede de poder, o Ricardo III que há em nós.
Encenação: Paulo Calatré
Ass. de Encenação: Jorge Vasques
Design de Luz: Francisco Tavares Teles
Design de Som e Música Original: Rui Lima e Sérgio Martins
Cenografia: Anita Novais
Design de Figurinos: Marta Bernardes
Design Gráfico: João César Nunes
Interpretação: Adriana Faria, Ivo Bastos, Jorge Vasques, Mirró Pereira, Nuno Preto, Patrícia Queirós, Pedro Frias, Rodrigo Santos, Rui Lima
Produção: Anita Novais e Tânia Reis
Operação de Luz e Som: Francisco Tavares Teles
Consultores Artísticos: Francisco Beja, Moura Pinheiro
Datas: 26 de Jan. a 4 de Fev. pelas 21h30 (domingo, 28 Janeiro, não há espectáculo)
Local: Teato Helena Sá e Costa
Reservas: Tel. 225189982 / 225189983
Em cena: DIZ QUE DIZ, pelo TEATRO DO FRIO
Num espaço algures entre a casa e o quintal, 3 actores, com algumas palavras e outros tantos objectos, deixam-se habitar por versos miudinhos cheios de sim e de não e personagens mirabolantes vindas em contra mão, surge a Minhoca que do fundo do Buraco, acesso directo para a deseperança, decide-se a ser Valente; Valente-valente é o Sr. Iria que ainda que contrafeito em Ficar e condicional no Ir, alimenta a vontade de partir e agenda-a para outro dia; outro dia é o dia em que o Rapaz e a Rapariga espirram em sincronia e à constipação junta-se o desejo de ficar e abraçar igualmente o ansiavam o Barco à Vela e a Janela, mas do alto do parapeito e até ao nível do mar, era tamanha a distância que decidiram, ele a ir e viajar, ela a ficar e a esperar… e entre a história que parte e a personagem que surge, ficam três actores, alguns objectos e outras tantas palavras, num constante Diz que Diz.
FICHA ARTÍSTICA
Adaptação dramatúrgica, criação e interpretação: Catarina Lacerda, Rodrigo Malvar, Rosário Costa
Texto Original: António Torrado
Criação e execução plástica: Sofia Pereira
Desenho de Luz: Jorge Castro
Apoio musical: António Sérgio
Design: Susana Guiomar
Produção: Teatro do Frio
Datas e horários: de 22 de Janeiro a 3 de Fevereiro de 2007, com sessões escolares de segunda a sexta, às 10h30m e 15h, e aos sábados para o público em geral, às 16h.( as sessões escolares realizam-se mediante marcação prévia através do 93 1617293 ).
Local: Biblioteca Municipal Almeida Garrett
Entrevista a Luciano Amarelo
Luciano Amarelo é actor e encenador, nascido na Guarda, formado pela Academia Contemporânea do Espectáculo, pela Escola Jacques Lecoq e pelo Rose Bruford College. Trabalhou com José Wallenstein, Rogério de Carvalho, Miguel Seabra, André Riot-Sarcey, Patrick Cuisance, António Capelo, entre outros.
Faz parte da Companhia Teatro Bruto e assinou recentemente a encenação das peças E Outros Diálogos, de João Camilo, e Cara de Fogo, de Marius von Mayenburg . Respondeu-nos a algumas perguntas a propósito deste último trabalho:
O que motivou a escolha desta peça do Marius von Mayenburg?
Luciano Amarelo – Na ausência de textos da parte do Teatro Universitário do Porto fiz uma pesquisa de dramaturgos contemporâneos. Cara de fogo pareceu-me ideal para o espectáculo já que fala de coisas que nos são familiares e fortes, com uma linguagem forte, simples e contemporânea. O universo é forte e compreensível a todos.
Que problemas de encenação apresentou uma peça deste cariz e como foram resolvidos? (mais…)
Livros de teatro na Poetria
A Poetria, livraria do Porto especializada em livros de teatro e poesia, acaba de nos enviar a lista dos últimos títulos de teatro que recebeu, entre novidades e reposições:
À espera de Godot – Samuel Beckett
A arte da conversação. Vanessa vai à lua – Luísa Costa Gomes
Teatro desagradável – Nelson Rodrigues
Teatro I, II, III – Bertold Brecht
As lágrimas amargas de Petra von Kant – Rainer Werner Fassbinder
Sangue no pescoço do gato – Rainer Werner Fassbinder
O público – Federico Garcia Lorca
Peças escolhidas I – H. Ibsen
A lição – Ionesco
As preciosas ridículas – Molière
Os gigantes da montanha – L. Pirandello
Hamlet (Cotovia) – W. Shakespeare
Revista dos Artistas Unidos (até ao n.º 17)
Colecção Livrinhos de teatro:
Nunzio – Spiro Sciomone
A rua do inferno – António Onetti
Terrorismo – Irmãos Presniakov
A noite canta seus cantos – Jon Fosse
O nosso hóspede – Joe Orton
T1. Se o mundo não fosse assim – J. M. Vieira Mendes
Tão só o fim do mundo – Jean-Luc Lagarce
Inverno – Jon Fosse
Conferência de imprensa – Harold Pinter
Music-Hall - Jean-Luc Lagarce
Caminho do céu – Juan Mayorga
Os animais domésticos - Letizia Russo
Stabat Mater. Paixão segundo João - Antonio Tarantino
A fábrica de nada – Judith Herzberg
Teatro – Nuno Júdice
Homem do pé direito - Miguel Castro Caldas
Orgia. Pocilga – P. Paolo Pasolini
Besta de estilo – P. Paolo Pasolini
Breves textos para a liberdade - Vários autores
A vertigem dos animais – Dimitris Dimitria
A livraria funciona das 10 às 19h, de 2.ª a sábado, na Rua das Oliveiras, 70 r/c Loja 5, ou pedidos pelos telefones 222000436/222000436 e e-mail poetria@sapo.pt.
Otelo – Algumas notas
Sentir-me-ia tentado a dizer que foi só meio Otelo, aquele que esteve em palco no Teatro Nacional São João, tão extensos foram os cortes ao texto. No entanto, o cerne da peça de Shakespeare – o insegurança masculina perante a possibilidade de liberdade feminina – esteve lá de forma evidente.
Mas o jogo político veneziano, a luta de Otelo e Desdémona pelo seu amor, o lento urdir da teia de Iago foram excisados na sua totalidade, o que, no meu entender, desvaloriza a intensidade da relação de Otelo e Desdémona e diminui a tragicidade do assassínio desta. (mais…)
Rivoli: Plateia apresenta acção cautelar
A associação Plateia anunciou hoje que apresentou no Tribunal
Administrativo e Fiscal do Porto uma acção cautelar pedindo a suspensão
da eficácia da concessão do Teatro Rivoli, no Porto, ao produtor Filipe
La Féria.
“A Plateia considera que não foram asseguradas pela Câmara do
Porto a equidade e a transparência a que a Administração é obrigada nas
suas relações com os administrados, valores basilares do sistema
democrático e como tal consagrados na lei”, refere a associação, em
comunicado. (mais…)
Estreia “A Um dia do Paraíso”
Pretexto para falar de utopia
Um país onde não existe pobreza, fome, doenças, os homens vivem 200 anos e têm ao seu dispor todas as mulheres que quiserem. Uma utopia para muitos, “uma necessidade prática”, diz José Carretas, encenador de «A Um Dia do Paraíso» a nova proposta teatral co-produzida pela Panmixia e o Teatro Nacional São João e que estreia hoje no Teatro Carlos Alberto. A figura central é Pêro da Covilhã – símbolo e expoente da aventura que foi a expansão quinhentista – que ao serviço de D. João II parte em busca do mítico reino de Preste João – lendário e soberano cristão do Oriente cujas funções correspondiam às de Imperador da Etiópia –, e onde só floresciam maravilhas de todo o tipo. (mais…)
