Apoio às artes – Reacções 2
Julguei que Novo Regime de Apoio às Artes introduzisse alguma coisa de NOVO no Regime de Apoio às Artes. Não se vê nada de novo. Vê-se sim, alguma preocupação na redução de custos por parte do Ministério e logo, mais mecanismos de comparação e a procura de mais apoios comunitários que, ou muito me engano, ou servirão os mesmos de sempre. A ideia é ter uma cultura (apenas)mais independente; mas suficientemente dependente para não permitir que haja lugar a uma cultura verdadeiramente independente.
Mas a verdade é que basta uma leitura atenta da intervenção da Ministra para se notar que o governo não pretende liberalizar o sistema, tornando-o mais ágil e independente, mas tão só pretende racionalizar os custos na atribuição de subsídios. Uma vez mais, o que determina a reforma é a necessidade de poupar dinheiro e não tanto a de tentar uma via alternativa de desenvolvimento.
Apoio às artes – Reacções 1
O director da Companhia de Teatro de Almada, Joaquim Benite, disse que considera positivo “o facto de ter havido uma reflexão profunda e um estudo minucioso da situação [das artes] em Portugal”. Segundo Joaquim Benite, que é também o principal responsável pela organização do Festival Internacional de Teatro de Almada, “deve-se caminhar para uma estruturação do teatro nacional na sua totalidade e acabar com o sistema de medidas casuísticas”. “É muito importante este ponto de conceber o desenvolvimento teatral como resultado da actividade dos criadores teatrais e, do meu ponto de vista, as companhias residentes são a única forma de desenvolver o teatro no interior do país”, reforçou. Também Carlos Avillez, director do Teatro Experimental de Cascais (TEC), considerou que o novo regime de apoio às artes é um projecto globalmente positivo “especialmente para as companhias [teatrais] com mais anos”, destacando “o facto de não ser necessário estas estarem sistematicamente a concorrer [aos subsídios]”. “É igualmente positivo as comissões de acompanhamento verificarem o que é que está a acontecer, o que se está a fazer”, observou, acrescentando que, “quanto à questão dos números, isso já é mais discutível”.
Para Carlos Fragateiro, novo director do Teatro Nacional D. Maria II, trata-se de “um documento extremamente bem estruturado, que enfrenta a sério questões como a da dependência, avaliação e acompanhamento e que pretende fomentar a existência de uma cartografia cultural no país”. “É necessário potenciar o grande investimento que foi feito a nível dos teatros e haver um apoio à programação que tem de ser feita nos cine-teatros e nos teatros”, sustentou. “É também importante haver residências de criadores durante três meses, para que os teatros não sejam só ‘barrigas de aluguer’ onde vão passando espectáculos”, frisou. “Os artistas não querem falar de serviço público, que é um conceito de que em todo o mundo se fala quando há subsídios do Estado. É um serviço público, não é cada criador fazer o que quiser”, insistiu.
Por sua vez, Susana Lopes e Cristina Santos, representantes das companhias de dança O Rumo do Fumo e Fórum de Dança, ambas pertencentes à plataforma Rede, destacaram que o novo regime continua a não contemplar o apoio à formação, o que classificaram como uma lacuna grave. “Continua a ser omissa, depois de vários anos de ministério e de vários anos de chamadas de atenção e de contactos a questão da formação. O que sentimos é que não há qualquer tipo de reflexão sobre as coisas importantes”, disse Cristina Santos.
Museu do TEG, digo, TEP
Museu do TEP previsto para 2009
A completar 53 anos de existência, o Teatro Experimental do Porto elegeu três novos sócios honorários e o novo Conselho Cultural. Em 2009 comemora-se o centenário do nasci-mento de António Pedro e espera-se ver concre-tizado o “sonho” de ex-por o espólio do fundador num futuro museu com o seu nome.
Num ano particularmente festivo, que celebra 53 anos de actividade e 40 anos após a morte do fundador António Pedro, (mais…)
Uma explicação para o Rio que se passa
Desde 2003 é gestor dos teatros municipais do Rio de Janeiro. Com que dificuldades se depara na altura de fazer a programação?
Todas, porque a bem da verdade só no primeiro ano é que me foi atribuída uma verba. Agora a verba da câmara vai toda para o PanAmericano e já não recebo nada há dois anos. A minha pasta é uma pasta falida [risos]. Com esta situação mal consigo manter os teatros abertos, porque sem dinheiro é impossível e não sou mágico. Sou talentoso, mas não mágico.
E qual seria a solução para esse problema?
O problema é que não se investe em educação, porque não é interessante. Um povo educado é um povo esclarecido e, sendo assim, não elege essas bostas que estão no poder. Aos políticos não interessa que o povo se eduque, porque se for educado escolhe os melhores deputados, sabe votar e, quando os políticos não correspondem às expectativas, discutem e fazem valer os seus direitos. Sem educação não há nada. Aliás, tenho a teoria de que tudo isto é orquestrado pelos países ricos, porque quando não se tem um povo esclarecido você é um eterno comprador de ‘know-how’. É uma escravidão eterna e acredito que a minha geração não vai chegar a ver uma política voltada para a cultura e para a educação.
Matrecos, carros, sueca e… teatro?
Porto Lazer vai começar a funcionar ainda este ano
Carla Sofia Luz
A futura empresa municipal Porto Lazer deverá entrar em funcionamento ainda este ano. O estudo de viabilidade económica e financeira prevê que a Câmara do Porto transfira 1,2 milhões de euros para o novo organismo – responsável pela gestão dos equipamentos desportivos e pela organização de eventos desportivos e culturais de animação da cidade – no segundo semestre de 2006. Mas o objectivo é que a terceira empresa do Município seja capaz de autofinanciar-se em 47% do valor global das duas despesas.
Novidades
Foram acrescentados links para os sítios de diversas companhias e instituições ligadas ao teatro no Porto. Está aqui mesmo ao lado.
Também se acrescentou uma página com as peças em exibição neste momento. Está à direita, sob o item "Artigos Longos". Para acrescentos ou correcções contactem 4parede@gmail.com.
Em cena: História de um segredo
A tenda montada nos jardins do Palácio de Cristal, no Porto, foi pequena para acolher as muitas pessoas que assistiram à estreia de "História de um segredo", levada à cena pela companhia de teatro Pé de Vento.
A história, a partir de um conto de Álvaro Magalhães, continuará em cena até ao dia 30 de Julho, de terça a sexta-feira, às 11 e às 15 horas, e aos sábados e domingos, a partir das 16 horas.
Em "História de um segredo", o escritor Álvaro Magalhães recria um motivo tradicional, presente nas mais diversas culturas, colocando em evidência um rei poderoso, incapaz de suportar o segredo que guarda desde pequeno e que resolve contar a um seu criado. Mas logo surge a ameaça ao aio de que se deixar escapar a confidência pagará com a sua vida… (continua)
Em Cena: Cock Tale
Anos 80 avançados. Três amigas, Lúcia, Catarina e Zita, dividem um apartamento e, entre as "picardias" típicas de raparigas jovens, o dia a dia decorre com tédio e alguma boçalidade. Mas, com a entrada de Eduardo, o imbróglio amoroso de Lúcia, em cena, tudo está prestes a mudar.
À primeira vista, o desconhecido que visita as raparigas é um "cromo" desinteressante, do ponto de vista físico e intelectual. Ao longo da peça, Eduardo revela-se, no entanto, uma surpresa a cada segundo. E todas as aparências iludem, a cada passo, o público.
Emoção, suspense e humor é o que não falta a "Cock tale", espectáculo com texto e encenação de Michel Simeão (o Eduardo em palco) e interpretações de Lavínia Roseiro, Marta Osiecka, Margarida Moreira, que o Grupo de Teatro Criação trouxe, este fim-de-semana, ao espaço Contagiarte, no Porto. (continua)
Em cena: Teatro Escasso
Logo à entrada percebe-se que estamos perante uma apresentação diferente. A sala do Teatro Nacional de S. João (TNSJ) estende-se pelos corredores, na plateia foi montada a cena e no palco uma série de cadeiras de vários modelos e cores – qual showroom – denunciam os lugares do público. Porque lhe é dado a ver muito pouco de teatro, o espectador é convidado a mudar de perspectiva e, assim, centrar a sua atenção nas palavras. Daí o nome, «Teatro Escasso». A mais recente encenação de António Durães conta com oito actores do TNSJ que, juntos, interpretam poemas de vários autores, nacionais e internacionais, dando resposta a um desafio lançado pelo director Ricardo Pais. Em cena a partir de hoje, até dia 28, «Teatro Escasso» dá nova vida às palavras de poetas que elegeram o teatro como universo de fulguração e reflexão. Mário Cesariny, Seamus Heaney, Ruy Belo, Gastão Cruz, Natália Correia, Dylan Thomas, Alexandre O’Neill, T.S. Eliot, entre outros, são assim revisitados, reapropriados para outros corpos, alimentados não só pela veemência das suas palavras, mas pela escassez do teatro. (continua)
Semana das escolas de teatro
Uma organização da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE) em parceria com o Instituto Politécnico do Porto (IPP) Primeira edição da Semana das Escolas de Teatro
Promover uma partilha de experiências e de diferentes processos de criação entre as escolas de Teatro do País; envolver as comunidades escolares; promover a criação e formação de públicos; dar a conhecer os mais variados cursos ligados às artes do espectáculo; permitir aos novos criadores (ainda alunos) a apresentação das mais diversas propostas artísticas e promover o debate da dicotomia escola/arte, são as linhas mestras do Festival SET – Semana das Escolas de Teatro. Trata-se de uma iniciativa inédita que decorrerá de 10 a 16 de Julho, no Porto, e que pretende reunir todas as escolas do País – profissionais e superiores – de Teatro ou com cursos ligados à vertente da representação. Durante sete dias, as instituições participantes, 11 já confirmadas, num total de 400 alunos, apresentam ao público os espectáculos/projectos que têm vindo a desenvolver “como forma de partilha dos diferentes processos de criação teatral, que acabam por ser estreias absolutas”, esclarece Francisco Beja, presidente da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE) que organiza o festival, em parceria, com o Instituto Politécnico do Porto (IPP). (continua)